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Como fazer o DRE de uma transportadora (e por que fazer por caminhão)

Análise de resultado financeiro de uma transportadora

O DRE é o documento que separa o dono que acha que lucra do dono que sabe quanto lucra. E na maioria das transportadoras que eu olhei, ele não existe ou é montado errado.

Depois de olhar por dentro mais de 2.000 transportadoras, eu vi o mesmo padrão se repetir. Dono de caixa cheio, achando que está indo bem, sem um DRE que mostre se a operação realmente sobra. Faturamento todo mundo sabe de cabeça. Lucro, quase ninguém. Vou montar essa conta com você, linha por linha, e mostrar por que ela só resolve o seu problema quando é feita por caminhão.

A estrutura do DRE de uma transportadora

O DRE, Demonstração do Resultado do Exercício, é uma escada. Você começa na receita e vai descendo, descontando cada camada de custo, até o que sobra no fim. A ordem é sempre a mesma:

Receita de frete − impostos e comissões = receita líquida − custos de operação = margem de contribuição − custos fixos e despesas = lucro operacional

Cada degrau tira uma coisa. Primeiro o que o governo e o comissionamento levam do frete. Depois o custo de rodar. Depois o custo de manter a estrutura de pé. O que resta no último degrau é o resultado real. Não é o dinheiro na conta. É o lucro que a operação gerou no período.

O que entra em cada linha

A receita é o frete faturado, e só. Adiantamento não é receita, é caixa antecipado. Confundir os dois é o primeiro passo pra achar que sobra o que não sobra.

O custo variável é o que só existe porque o caminhão saiu do pátio. Diesel, pneu, manutenção, pedágio e arla. É o custo que roda junto com a roda.

O custo fixo é o que sai todo mês mesmo com o caminhão parado. Motorista, licenciamento, seguro e depreciação. E acima disso vem a despesa administrativa, o escritório, a gestão e a contabilidade que sustentam a empresa. Cada uma dessas linhas desce da receita, na ordem, até o lucro.

DRE não é fluxo de caixa

Essa é a confusão mais cara do setor. O fluxo de caixa mostra o dinheiro entrando e saindo hoje. O DRE mostra o resultado da operação no período, tenha o dinheiro entrado ou não.

Uma transportadora pode estar com o caixa cheio de adiantamento e giro, e ao mesmo tempo dando prejuízo no DRE. O dono olha o extrato, vê saldo, e dorme tranquilo. Meses depois a conta fecha e o buraco aparece. O caixa engana porque mistura o dinheiro de amanhã com o resultado de hoje. O DRE não engana, porque só conta o que a operação de fato gerou.

Por que o DRE tem que ser por caminhão

Um DRE só da empresa inteira responde uma pergunta que não resolve o seu problema. Ele diz se a soma de tudo deu lucro. Não diz de onde veio o lucro nem para onde foi o prejuízo.

Numa frota sempre existe caminhão que sustenta o resultado e caminhão que drena por baixo. Quando você junta os dois numa conta só, o ativo no vermelho fica escondido atrás do que dá certo. Você olha o número do meio e não vê o problema. O DRE por caminhão abre isso. Mostra o resultado de cada ativo, cada rota e cada cliente, e transforma decisão de frete em conta, não em sensação.

O que o DRE destrava

Quando o dono tem o DRE por caminhão na mão, ele para de decidir pela intuição. Aceita o frete que paga, recusa o que não paga, e sabe qual caminhão precisa sair da frota antes de continuar carregando prejuízo com placa.

O DRE por caminhão é o degrau que vem logo depois do CPK dentro do método Transportadoras Lucrativas. Fazer sobrar antes de crescer. Porque crescer frota sem saber o resultado de cada ativo é multiplicar o prejuízo com mais caminhões. Em mais de 2.000 transportadoras, o desfecho foi sempre o mesmo. Quando o frete aperta, quem sobra é quem já sabia o próprio resultado antes do aperto chegar.

Numa conversa de diagnóstico, um especialista da FB Consult monta com você o DRE por caminhão da sua frota e mostra quais ativos e quais clientes sobram depois do custo. Se você nunca viu esse resultado por unidade, ele já existe rodando na sua operação neste mês.
Consultoria · FB Consult
Monte o DRE por caminhão da sua transportadora

Conteúdo da newsletter Ecossistema TRC Lucrativo, de Flávio Batista. Ler no LinkedIn →