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O motorista mais barato é o que mais custa caro

O motorista mais barato é o que mais custa caro

Sexta-feira, fim do mês. O dono senta com a folha de pagamento na frente e faz a conta de sempre.

Olha pra coluna de salário. Compara um nome com o outro. Vê que o motorista mais novo, o que aceitou o piso, sai R$ 600 mais barato que o veterano.

E pensa: esse aqui me dá menos dor de cabeça no caixa.

Errado. Esse é o homem mais caro da frota dele. E o número está escondido em outra planilha, que ele nunca abre.

Deixa eu mostrar uma cena que acontece em transportadora grande todo santo dia. Dois homens. Mesmo caminhão. Mesma rota Goiânia a Uberlândia, ida e volta, todo dia. Mesmo diesel no tanque. A única variável é quem está com a mão no volante.

Vou colocar a ficha dos dois lado a lado. Sem opinião. Só o número.

FICHA TÉCNICA · MOTORISTA A

Consumo: 2,4 km/l

Pisada: progressiva, embalo nas descidas, motor na faixa econômica

Frenagem: suave, antecipa o trânsito

Sinistro nos últimos 12 meses: zero

Pneu: troca dentro do prazo de catálogo, às vezes depois

Manutenção: dentro do plano preventivo

Salário: o mais alto da frota

FICHA TÉCNICA · MOTORISTA B

Consumo: 2,0 km/l

Pisada: pesada, acelera e freia, anda no talo

Frenagem: brusca, em cima do obstáculo

Sinistro nos últimos 12 meses: uma batida leve, R$ 4 mil de funilaria, mais o caminhão parado três dias

Pneu: gasta antes da hora, ombro comido pela curva forçada

Manutenção: entra fora do plano, freio e embreagem antes do previsto

Salário: o mais baixo da frota

Agora deixa o número condenar sozinho.

Esse caminhão roda 12.000 km por mês. Conta fechada.

Com o Motorista A, a 2,4 km/l, ele queima 5.000 litros de diesel no mês.

Com o Motorista B, a 2,0 km/l, ele queima 6.000 litros no mesmo mês, na mesma estrada, carregando o mesmo peso.

Mil litros de diferença. Todo mês. Só no pé no acelerador.

A R$ 6 o litro, isso é R$ 6.000 a mais por mês. Por caminhão.

São R$ 72.000 por ano. Por um único caminhão. Só de diesel desperdiçado pela mão errada no volante.

E eu nem entrei na conta dos pneus que ele come antes da hora. Nem do freio que troca cedo. Nem dos três dias de caminhão parado depois da batida leve, que ninguém lança como prejuízo mas é frete que deixou de rodar.

O salário do Motorista B é R$ 600 mais barato no papel. O homem custa R$ 6.000 mais caro na operação. O dono está economizando R$ 600 pra perder R$ 6.000. Todo mês.

Esse é o motorista barato. O que mais custa caro.

Na Gestão 360º de Frotas a gente liga a telemetria em cada caminhão e mede a ficha individual de cada motorista. Numa conversa com um especialista, você vê como tirar o número que hoje está escondido e premiar quem de fato economiza.

Agora eu sei o que você está pensando. Que o jeito de resolver é dar bônus de consumo pra equipe. Premiar quem economiza diesel. Faz isso e a frota inteira acerta a mão.

Cuidado. Aqui mora o erro que vejo na maioria das transportadoras grandes que passam pela FB Consult, e já são mais de 2.000.

O dono cria a bonificação, mas calcula em cima da MÉDIA da frota.

Pensa no que acontece. Você joga a nota do Motorista A no mesmo balde da nota do Motorista B e tira a média. A média fica morna. Aí você paga o bônus pra todo mundo igual, porque bateu a meta da média.

O Motorista A, que faz 2,4, recebe o mesmo que o Motorista B, que faz 2,0. O homem que economiza R$ 72 mil por ano leva o mesmo prêmio do homem que torra esse dinheiro.

Você acabou de fazer duas coisas no mesmo cheque. Você usou o bom pra carregar o ruim nas costas. E avisou o seu melhor motorista que esforço, na sua empresa, dá no mesmo que desleixo.

Na semana seguinte o Motorista A começa a pisar igual ao B. Pra quê se esforçar.

A média é o lugar onde o bom afunda até o nível do ruim. Frota se nivela por baixo quando você premia a média.

A correção é cirúrgica. Você para de medir a frota e passa a medir o homem. Bônus pela nota individual de cada motorista. Consumo dele. Sinistralidade dele. Pontualidade dele. Cada um responde pelo próprio número e cada um leva o próprio prêmio.

Quando o motorista entende que o painel mede ELE, e não a turma, ele muda a pisada na primeira semana. Não por palestra de segurança. Por dinheiro no bolso dele, ganho pelo trabalho dele.

E tem mais uma sangria que ninguém lança no prejuízo. A rotatividade.

Toda vez que um motorista entra e sai, você gasta entre R$ 8 mil e R$ 15 mil. Recrutamento, exame, treinamento, o caminhão rodando com motorista cru aprendendo a rota, a rescisão no fim. Frota que gira gente o ano inteiro está vazando esse valor por cada porta giratória, e some na conta como se fosse normal.

Quando você mede e premia o número individual, o bom motorista fica. Ele tem motivo pra ficar. A porta para de girar e essa sangria fecha junto.

Faça as contas da sua frota. Pegue o número de caminhões e multiplique por R$ 72 mil ao ano de diferença entre a mão certa e a mão errada no volante. Some a rotatividade. O resultado é um caminhão inteiro, às vezes dois, que você está pagando todo ano e nunca colocou na estrada.

O dono que olha só o salário gerencia a folha de pagamento. O dono que olha o custo por motorista gerencia a transportadora.

A diferença entre os dois não está na sorte. Está em ter, ou não ter, a ficha de cada homem na mão.

Consultoria Gestão 360º · FB Consult
Coloque a gestão da sua frota sob método, não no improviso

Publicado originalmente na newsletter Ecossistema TRC Lucrativo, de Flávio Batista. Ler no LinkedIn →